o filme

AS IRACEMAS

Um olhar sobre a vida de quatro mulheres de uma mesma família que vivem isoladas num casebre de pau-a-pique na região do Alto do Mingú, entre os municípios de Rio Acima e Raposos (MG).

A região, que até 2006 não tinha luz elétrica, tem um acesso precário e o povoado mais próximo fica a cerca de 2,5 léguas. A família vive em uma casinha de pau a pique construída pelas próprias mulheres. As peculiaridades da construção da casa revelam uma delicada morada feminina.

Entretanto, o que mais instiga e motivou a realização desta produção não é aquilo que  salta aos olhos numa primeira impressão e sim as histórias e os mistérios escondidos por trás do estilo de vida e do perfil marcante das moradoras.

Durante dois anos, foram realizadas visitas espaçadas à família, com registro sonoro e vídeográfico. Nos primeiros encontros, houve muita dificuldade de aproximação. A desconfiança das moradoras e o estranhamento com a câmera as tornavam arredias. Aos poucos a equipe foi ganhando a confiança das “Iracemas” que passaram a abrir suas histórias.

Foram muitas conversas à beira do fogão. No começo houve uma grande dificuldade de entendimento, pois o sotaque peculiar soa como um dialeto próprio. Numa dessas conversas dona Iracema começou a falar da sua história. Descobrimos que ela nasceu na região e que, durante anos, se dedicou à extração de madeira para a produção de carvão. Com a escassez da madeira, a região dependente deste comércio, foi perdendo seus moradores que partiram em busca de trabalho nas cidades próximas. Aos poucos o lugar foi ficando inabitado e hoje as “Iracemas” são as únicas remanescentes dessa época que ainda habitam a região.

um filme de Alexandre Pires Cavalcanti
Longa metragem – 72 minutos – 35mm – Brasil – 2010